sábado, 19 de março de 2011

O ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio

      Exames necessários para o ingresso no Ensino Superior dão motivos para muita preocupação entre estudantes, pais e professores. Há algum tempo tornou-se comum que boa parte do Ensino Médio seja dedicada mais à preparação para provas do que para o próprio aprendizado. Com a reformulação do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio – algumas situações estão mudando.
      Vamos conversar sobre o ENEM e as diferenças entre uma avaliação centrada em conteúdos e outra em competências e quais os impactos sentidos em sala de aula.

1. Hoje em dia, o último ano do Ensino Médio (em alguns casos, quase o nível inteiro) é dedicado à preparação do aluno para as provas de vestibular e do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), ficando de lado o aprendizado de conteúdos. Como fazer para que esse panorama mude, para que os alunos se concentrem em aprender e não em treinar respostas?
            Considero uma pena que algumas escolas ainda tratem o Ensino Médio como treinamento para seleções de ingresso no Ensino Superior. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação propõe que o Ensino Médio, como “última etapa da educação básica”, se destine a aprofundar os conhecimentos já obtidos e a preparar os jovens para o exercício consciente da cidadania e para ingresso no mundo do trabalho. Além disso, a concepção do Enem e também de alguns vestibulares não exige “treinar respostas”. O modo como as questões são elaboradas, os enunciados e as respostas requeridas não exigem que os alunos decorem conceitos, fórmulas, datas. São provas de raciocínio e lógica que buscam analisar a capacidade de interpretação e de argumentação dos alunos, além de avaliar seu potencial diante da necessária mobilização de conhecimentos em situações com as quais eles podem se deparar. Por essa razão, as perguntas são contextualizadas, e uma leitura atenta permite chegar aos resultados. Um ensino contextualizado, inteligente e significativo deixa o estudante preparado para o Exame, sem que ele necessite de treinamentos.

2. Para um aluno, qual é a importância de estar conectado com jornais, revistas e informações que circulam fora dos livros didáticos na hora de responder às questões do Enem?
            Como as perguntas do Enem são contextualizadas e muitas delas recorrem a temas da atualidade, estar informado é fundamental; a leitura de jornais, revistas, etc. é um hábito extremamente saudável, que deve ser cultivado, independentemente da competição para o ingresso numa instituição de Ensino Superior; ler para além dos livros didáticos contribui para a formalização das ideias e para as formas de expressão do pensamento autônomo. Essa é uma das capacidades que o Enem se propõe a avaliar.

3. Um aluno que está às vésperas do Enem pode encontrar em jornais informações suficientes, de forma autônoma, para responder às questões da prova ou há a necessidade de fazer relação entre a notícia e os conteúdos dos currículos?
            Cultivar permanentemente o hábito da leitura é requisito para uma educação que busca formar alunos críticos, autônomos e criativos, e deve fazer parte de um projeto político-pedagógico que tenha compromisso com a formação do educando em um sentido mais amplo, de modo a ultrapassar a formação para as avaliações classificatórias, como os vestibulares e outras maneiras de seleção. Um aluno bem formado e informado está preparado para qualquer avaliação. Cabe à escola e a seus professores despertar nos estudantes esse hábito, trazendo para a sala de aula os fatos que estão ocorrendo na sociedade e que, de algum modo, se relacionam com os conteúdos tratados nas disciplinas. A escola não está isolada da sociedade. Sendo assim, uma forma de contextualizar os conteúdos que estão sendo trabalhados em sala de aula é relacioná-los a notícias, assuntos polêmicos, etc.

4. A partir de qual série um aluno pode começar a preparar-se para o Enem?
            Entendo que uma educação de qualidade e uma formação que leve o estudante a pensar por si próprio, considerando que isso deve ocorrer dentro e fora da escola, não tem série para começar. Sair-se bem no Enem é decorrência de um processo educativo que possibilite ao aluno apropriar-se, de forma significativa, do conhecimento historicamente acumulado pela humanidade e transformado, por meio das transposições didáticas, em saber escolar. A apropriação significativa desses conhecimentos ocorre quando se ultrapassa aquele ensino meramente repetitivo, baseado somente na memorização mecânica, com vistas em passar nas provas.

5. Depois de toda a confusão que ocorreu no ano passado (a respeito do vazamento das provas), é possível acreditar que esse é um processo realmente sério?
            É de fato lamentável o que ocorreu no ano passado. Porém, isso não é suficiente para colocar-se em descrédito todo o Enem. O Ministério da Educação tomou providências neste ano para que não ocorresse o mesmo, ampliando os requisitos de segurança. Lamentavelmente, outra situação aconteceu: a de algumas provas terem saído da gráfica com erros. No entanto, o modelo de avaliação do Enem, baseado na TRI (Teoria de Resposta ao Item) permite que a prova seja aplicada em tempos distintos. Para responder à sua pergunta – quanto a ser esse exame um processo avaliativo realmente sério –, pode-se basear no fato de que, mesmo tendo ocorrido o vazamento das provas do ano passado, neste ano, pelo menos 83 instituições públicas de Ensino Superior optaram por utilizar o exame em seus processos seletivos para o primeiro semestre de 2011. Além disso, a respeito do que ocorreu no ENEM de 2010, a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) divulgou nota afirmando que mantém a confiança no Enem.

6. Qual é a diferença entre Enem e vestibular?
            Originalmente, o Enem foi criado para avaliar a Educação Básica brasileira e não estava vinculado à seleção para ingresso na Educação Superior. Hoje, ele substitui integralmente ou parcialmente os vestibulares de algumas universidades. Desse modo, tornou-se um mecanismo alternativo de seleção. Possui, no entanto, algumas diferenças: o tipo de provas, que não cobra somente memorização; a amplitude, dado que se inscreve um número expressivamente maior do que em qualquer vestibular; e o mecanismo de inscrição às vagas, por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificado). Infelizmente, como ainda em nosso país temos uma oferta insuficiente de vagas e, portanto, uma altíssima exclusão no Ensino Superior, os vestibulares e o próprio Enem instituem-se como mecanismos de seleção.

7. Em caso de aprovação no Enem, como proceder para saber em qual universidade há vaga? O que fazer após a aprovação?
            No Enem, não se aprova nem se reprova. O aluno obterá como retorno uma nota e com ela poderá inscrever-se numa instituição de Ensino Superior e concorrer às vagas disponíveis no Sisu. Aqui vale a lógica dos vestibulares: estudante com melhor desempenho tem mais chances diante dos cursos mais concorridos. Caso o aluno não obtenha um desempenho que possibilite alcançar a vaga desejada, ele se inscreve novamente, para as “rodadas” subsequentes.

8. Quais são as séries que podem e devem fazer as provas para ingressar nas universidades federais?
            Para ingressar na Educação Superior, é preciso ter concluído o último ano da Educação Básica (terceiro ano do Ensino Médio).

9. Há como reprovar no Enem?
            Não há como reprovar. Cada aluno tem como retorno sua nota. O Inep analisa o resultado do conjunto classificando o desempenho dos estudantes em uma escala. Isso serve para os sistemas e redes de ensino conhecerem o desempenho dos educandos.

Fonte: Educação em Pauta

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